Empresas precisam guardar documentos por até 30 anos mesmo na era digital

Criciúma (SC)

Mesmo em um cenário cada vez mais digital, empresas brasileiras ainda precisam manter parte significativa de seus documentos físicos por décadas. Registros trabalhistas, prontuários médicos, contratos e documentos fiscais possuem prazos mínimos de guarda definidos por diferentes legislações, o que mantém a gestão documental como uma atividade estratégica dentro das organizações.

O tema ganha ainda mais relevância diante do crescimento acelerado do volume de dados no mundo. Segundo levantamento da consultoria IDC (International Data Corporation), cerca de 90% de todos os dados existentes atualmente foram produzidos nos últimos anos, impulsionados pela digitalização das atividades econômicas, pela expansão da internet e pelo avanço de tecnologias como computação em nuvem e inteligência artificial. A estimativa é que o volume global de dados continue dobrando a cada poucos anos.

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Dentro das empresas, parte dessa produção de informação se materializa em documentos que precisam ser organizados, protegidos e acessados com segurança.

No Brasil, além da necessidade operacional, há também uma forte dimensão regulatória. Diversas legislações determinam prazos mínimos para a guarda de documentos corporativos. A legislação tributária, baseada no Código Tributário Nacional, estabelece que documentos fiscais devem ser preservados por pelo menos cinco anos. Já registros ligados à relação de trabalho podem exigir guarda prolongada de até 30 anos para comprovação de direitos previdenciários e trabalhistas.

“Na administração pública e no setor privado, a guarda correta de documentos é fundamental para garantir transparência, rastreabilidade das informações e segurança jurídica em processos de auditoria ou fiscalização”, afirma o Controlador-Geral do Município de Criciúma, Felipe Borusiewicz Tavares.

Na área da saúde, a exigência é ainda mais rigorosa. De acordo com normas do Conselho Federal de Medicina, prontuários médicos devem ser mantidos por pelo menos 20 anos após o último registro do paciente.

“A guarda adequada de prontuários médicos é uma garantia tanto para o paciente quanto para o profissional de saúde. Esses registros são fundamentais para a continuidade do cuidado e para a segurança jurídica da prática médica”, destaca Francisco Carvalho Veras, Delegado Conselho Regional de Medicina em Criciúma.

Esse conjunto de exigências faz com que organizações de diferentes setores — especialmente hospitais, cartórios, instituições financeiras e concessionárias de serviços — precisem manter estruturas capazes de preservar e localizar grandes volumes de documentos ao longo do tempo.

Arquivo físico ainda tem papel relevante

Apesar do avanço da transformação digital, especialistas apontam que a migração completa do papel para o ambiente digital ainda é um processo gradual. Muitas organizações acumulam décadas de documentação física produzida antes da adoção de sistemas eletrônicos.

Digitalizar integralmente esse acervo pode exigir investimentos elevados em equipamentos, equipe técnica e tempo de processamento. Por isso, a gestão estruturada de arquivos físicos continua sendo uma solução importante, especialmente quando integrada a sistemas digitais de controle e rastreamento.

Quando essa organização não existe, os impactos aparecem rapidamente: perda de documentos, retrabalho, dificuldade de acesso às informações e aumento do risco jurídico.

Do arquivo físico à gestão digital

No Sul de Santa Catarina, esse tipo de operação aparece na atuação da ArquivvA, empresa especializada em guarda, organização e digitalização de documentos corporativos. Com unidades em Criciúma e Forquilhinha, a empresa atende organizações de diferentes setores, entre elas hospitais, cartórios, instituições financeiras e concessionárias.

Atualmente, a estrutura administra 88.647 caixas arquivadas, que somam aproximadamente 265 milhões de folhas armazenadas, além de mais de 8 milhões de documentos digitais gerenciados em ambiente de nuvem.

“Cada caixa possui identificação por código de barras, registro em sistema e lacre de segurança. A partir do momento em que o material entra na estrutura de arquivamento, conseguimos rastrear exatamente onde ele está e quantas vezes foi movimentado”, explica a administradora da ArquivvA – Digitalização e Guarda de Documentos, Aline Trento Búrigo Nimer.

Além da guarda física, muitas empresas também têm investido na digitalização para facilitar o acesso às informações e reduzir a dependência de consultas presenciais.

Nesse processo, documentos passam por tratamento técnico, organização e indexação em sistemas digitais, permitindo buscas rápidas e controle de acesso.

“A digitalização não elimina a necessidade de gestão documental. Pelo contrário, ela amplia a importância de sistemas seguros para armazenar e gerenciar informações digitais”, afirma o gerente de Tecnologia da Informação da Imatec Imagem e Tecnologia, Rafael Fischer.

Segundo ele, a infraestrutura tecnológica utilizada nesse tipo de operação envolve data centers, sistemas de criptografia, backups diários e controle de acesso aos arquivos, garantindo proteção contra perda de dados ou ataques cibernéticos.

Para muitas organizações, a terceirização da guarda documental também representa ganho de eficiência operacional. Espaços antes ocupados por salas e arquivos físicos podem ser destinados a atividades administrativas ou produtivas.

Em um ambiente empresarial cada vez mais orientado por dados, a gestão documental passa a ser vista não apenas como uma obrigação legal, mas como parte da estratégia de governança e organização das empresas.

 


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